Imortalmente Tua
À beira de um penhasco sentada, onde meus baloiçantes pés se molham
Com gotas de mar revolto salpicadas em torno de meu pálido corpo
Onde a suave veste de seda preta se cola encharcando-me o colo como um abraço de amante reconforto.
Repousa em meu regaço uma folha imaculada de palavras desconexas, branca, virginal.
Deixo que ela voe num sopro de fresco vento,
Com tudo o que queria ter escrito
Com a pena arrancada de minhas asas de anjo caído
E a tinta cor de sangue de minha vítima escorrido.
E com ela esvoaça minha carta para ti,
Meu tão amado Demónio.
Volto de vazias mãos para teus gloriosos braços
E deitada em lençois de sangue vivo,
Percorres com a ponta dos dedos a minha pele nua,
Dispo perante a tua suave carícia minha gélida e torturada alma
E deixo que teus lábios pousem sobre meu desnudo negro coração,
Que este te sussurre meus mais obscuros segredos
E que nada fique oculto nesta filha do amor e pecado entre uma Deusa e o Demónio
E lês no mais profundo de mim uma pecadora perdida,
Vampira amaldiçoada, e Bruxa escondida.
E desvendas em mim com teu penetrante olhar, um retrato da tua enegrecida alma.
Teus lábios tocam os meus num escaldante toque,
E somos um só num delicioso pandemónio.
E se morrer de prazer sob teu suado corpo, que não se aflija teu ser
‘’Pentru că morţii umblă repede’’
E voltarei eternamente para o frio do teu abraço meu amor.
Imortalmente tua amada e predadora presa,
Imortalmente amante do teu coração.
Eternamente tua.
Angeriel Draguliam,
30 de Agosto de 2011


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