Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

Na Sombra do Quarto

Sabem aquelas estórias de amores impossíveis com seres inimagináveis? Pois bem eu vou contar-vos uma.

Pesadelos. Malditos pesadelos que me atormentam todas as noites e me fazem gritar como se a minha alma dependesse disso.

Acordo mergulhada em suor. Sinto o rosto afogueado como se tivesse corrido uma mini-maratona. Tecnicamente foi o que fiz, no pesadelo.

Olho para o tecto e penso que não era suposto ter sonhos maus quando estou cansada demais para isso.

Ergo as costas da cama com o objectivo de me levantar, mas arrependo-me rapidamente de o ter feito.

Aos pés da minha cama vejo uns olhos azuis acinzentados translúcidos como nunca vi iguais. Arregalo os olhos de susto. Ele sorri cruelmente para mim da sombra onde se encontra.

Não me deixo intimidar. Mostrar medo é o mesmo que declarar uma sentença de morte.

Diz a medrosa de serviço – oiço a minha mente dizer-me com ironia.

Obrigadinha – retribuo sarcástica.

- Como entraste no meu quarto? – Questiono altiva, o olhar firme no dele.

- Atrevida ou muito estúpida. – Oiço pela primeira vez a sua voz. Rouca, firme, sensual e com um estranho toque de diversão.

- Estúpida é a p...

- Não sejas mal educada Isabel! Que coisa feia – E desta vez juro que lhe vi um meio sorriso divertido nos lábios.

Calma lá, como é que ele sabe o meu nome? – maldita mente que não se cala hoje.

E eu é que sei ó ignorante?! - Respondo

- Whatever. És capaz de dizer de uma vez o que raio fazes no meu quarto? E como sabes o meu nome? Mais importante quem és tu, afinal?

- Tantas perguntas Isabel. A curiosidade matou o gato... – Aquele sorriso prepotente irrita-me, mas que é sexy é.

Em que raio é que estás tu a pensar? – E lá vem ela outra vez...

Não faço ideia...

- Dizem que sim, mas ainda não me mostraram o gato morto por ela, por isso...

E ele sai finalmente da sombra.

É o homem (se é que lhe posso chamar isso, ele está mais para Deus Grego) mais bonito que já vi na minha existência.

Pálido, com um rosto moldado pelo mais habilidoso escultor. Os olhos azuis-acinzentados. Os lábios tão definidos que me parecem ter sido esculpidos para beijar.

Alto, muito alto. Definido.

Ele é de uma beleza estonteante.

- Queres que to mostre? – Pergunta-me

Eu queria que ele me mostrasse muitas coisas, estrelinhas por exemplo – Pervertida

E eu é que tenho pensamentos triste não é?

Queres mostrar-me?

Sorri-me cruel, sexy, malicioso.

Aproxima-se de mim como um felino que caça a sua presa.

- Porque não?

Toca-me com a ponta de um dedo no rosto. Gelado.

A carícia desce até ao meu pescoço. Arrepio-me de frio e prazer.

- É o teu ponto mais fraco não? – Como é que ele sabia?!

- Posso dizer que é o meu também...

- O teu pescoço? – Sussurro

- Não Isabel, o teu pescoço. – e desta vez quando ele me sorri, consigo ver. Os caninos afiados. A sensualidade e a crueldade. A beleza marcante. E não posso acreditar que seja real.

- Tu és...? – Arregalo os olhos de espanto. As palavras morrem-me na garganta.

- Diz. Em voz alta. Diz!

- Vampiro.

Enrolas os dedos no meu cabelo. Descobres o meu pescoço.

Falas contra ele.

- Temes-me?

- Não.

- Porquê?

- Porque confio em ti. Mostra-me como é.

Ele olha-me nos olhos surpreso.

- Tens a certeza? – Pergunta-me

- Absoluta. Mas antes faz amor comigo. Há coisas que quero experimentar antes que o meu corpo morra.

Ele beija-me como se a sua vida dependesse disso. Ou a sua morte.

Puxa-me o cabelo violentamente enquanto me suga o pescoço. E inspira violentamente. E eu sei que se está a controlar para não me morder.

As roupas são rasgadas em segundos.

E num minutos gememos em uníssono.

Os movimentos são velozes. A cama abana, chia, embate contra a parede.

Suga-me o lábio inferior ferozmente.

Entrelaça os dedos nos meus.

E quando estamos quase a alcançar o orgasmo.

Morde-me. Crava os caninos na pele do meu pescoço.

E vejo estrelas. De dor e de um prazer tão intenso que é indiscritivel.

Sinto-me vazia. A alma abandona-me o corpo.

Está escuro. Muito escuro.

E sei que, naquele momento morri para a vida e nasci para a morte.

Abro os olhos.

- Bem vinda à eternidade amor.

Fim.

Ou será um príncipio?

Quem sabe...

Ella Raven,

30/11/2009

1 Comentários:

Blogger M.G. disse...

muito bom :)

10 de Junho de 2010 17:55  

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