Adeus amor
Mais um dia que chega ao fim.
Estou triste amor, tão triste. Há dias em que a dor de não te ter ao meu lado aperta.
E hoje não estás, e a cada dia que passa sinto-te cada vez mais distante de mim. Porquê amor?
Magoei-te? Limitei o teu espaço? Esperei demais de ti?
Estou sentada no sofá. A música paira suave no ar. Oiço a campanhia. Levanto-me. Abro a porta. És tu.
Sorrio-te doce.
- Olá Rodrigo que fazes aqui querido? – Pergunto-te. Ao olhar-te o meu sorriso desvanece imediatamente. O teu olhar está gélido como nunca esteve, vazio.
- Olá Isabel, posso entrar? – Perguntas-me. E o meu nome completo na tua boca, soa a fel. Doí-me como uma facada inesperada.
- Entra. – Frieza, é a única protecção que me resta contra a dor, que ameaça molhar-me os olhos.
- Precisamos de conversar. – Dizes-me.
Subitamente sei o que me vais dizer.
Páro de respirar.
O mundo gira ao meu redor.
Quero gritar mas a minha voz está sofucada na garganta.
- Eu não te quero magoar Isabel, juro que não. Mas não aguento mais. Não aguento mais estar contigo. Sinto-me preso. E eu gosto de ser livre. Gosto de respirar livremente. Sair quando quero, sem ter de justificar nada a ninguém... – e quando vais continuar, coloco-te o dedo sobre a boca. Silencio-te. As lágrimas caem-me no rosto.
- Quando foi que te pedi justificações Rodrigo? Quando foi que te prendi?
- Prendeste-me no dia em que disseste que me amavas. Senti-me obrigado a correponder. E hoje apercebi-me que não te amo. Hoje senti vontade de seduzir outra mulher, de fazer amor com ela... – os olhos ardem-me como nunca.
Neste momento sinto como se o meu coração, tivesse sido arrancado de mim a sangue frio. E são lágrimas de sangue que derramo neste momento. Por mim, por ti, por nós.
- Rodrigo, posso pedir-te apenas uma coisa? Depois estarás livre de partir e jamais voltar, se essa for a tua vontade. – Seco as lágrimas com uma mão.
Neste momento não importa a maquilhagem arruínada, ou a aparência doentia.
- Faz amor comigo. Eu sei que podes achar estranho ou até mesmo ridiculo. Mas és tu que me vais abandonar. Sou eu que vou ficar à deriva. Deixa-me apenas recordar cada toque, cada carícia, cada olhar, cada gemido. Deixa-me apenas recordar-te como meu.
Não dizes nada.
Aproximas-te, tomas os meus lábios nos teus, como tantas outras vezes. Mas desta vez o sabor da despedida mistura-se ao nosso.
A tua lingua toca a minha, pede passagem. Cedo-ta, o sabor salgado invade as nossas bocas.
São as lágrimas que não consigo parar.
As tuas mãos perdem-se em mim. Tocas-me em toda a parte, e em parte nenhuma.
A tua boca percorre todos os cantos e recantos da minha pele. Numa tentativa de me memorizar os traços, as imperfeições. A textura.
A tua mão está sobre os meus seios. Desce-a mais amor. Preciso do teu toque dentro de mim.
E tu lês no meu olhar, o que a boca não pronunciou.
Tocas o mais profundo de mim.
Deixas-me à beira de um abismo alucinante. Mas não me deixas cair.
Penetras-me o corpo, a alma e o coração. Com gentileza.
E choro mais uma vez. Porque é a última vez que farei amor contigo.
Os movimentos de vai e vem, tornam-se mais rápidos, profundos.
Ambos buscamos o prazer máximo. E em poucos minutos alcançamos um orgasmo, como nunca tivemos nenhum.
Deixas-te cair sobre mim.
Toco-te a face.
Beijas-me os lábios. Levantas-te.
Vestes a roupa que ficou perdida pelo quarto.
Sais sem dizer adeus.
E eu fico.
E choro até adormecer.
Choro pelo amor despedaçado na minha alma.
Choro por nós.
Fim.
Ella Raven,
24/08/2009


2 Comentários:
que triste, apaixonante, que antítese de sentimentos...
Ai este texto está muito bom.
Tu não podias ter acabado com tudo, não pode lol
Façam lá as pazes que assim não dá!
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