Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Adeus amor

Mais um dia que chega ao fim.

Estou triste amor, tão triste. Há dias em que a dor de não te ter ao meu lado aperta.

E hoje não estás, e a cada dia que passa sinto-te cada vez mais distante de mim. Porquê amor?

Magoei-te? Limitei o teu espaço? Esperei demais de ti?

Estou sentada no sofá. A música paira suave no ar. Oiço a campanhia. Levanto-me. Abro a porta. És tu.

Sorrio-te doce.

- Olá Rodrigo que fazes aqui querido? – Pergunto-te. Ao olhar-te o meu sorriso desvanece imediatamente. O teu olhar está gélido como nunca esteve, vazio.

- Olá Isabel, posso entrar? – Perguntas-me. E o meu nome completo na tua boca, soa a fel. Doí-me como uma facada inesperada.

- Entra. – Frieza, é a única protecção que me resta contra a dor, que ameaça molhar-me os olhos.

- Precisamos de conversar. – Dizes-me.

Subitamente sei o que me vais dizer.

Páro de respirar.

O mundo gira ao meu redor.

Quero gritar mas a minha voz está sofucada na garganta.

- Eu não te quero magoar Isabel, juro que não. Mas não aguento mais. Não aguento mais estar contigo. Sinto-me preso. E eu gosto de ser livre. Gosto de respirar livremente. Sair quando quero, sem ter de justificar nada a ninguém... – e quando vais continuar, coloco-te o dedo sobre a boca. Silencio-te. As lágrimas caem-me no rosto.

- Quando foi que te pedi justificações Rodrigo? Quando foi que te prendi?

- Prendeste-me no dia em que disseste que me amavas. Senti-me obrigado a correponder. E hoje apercebi-me que não te amo. Hoje senti vontade de seduzir outra mulher, de fazer amor com ela... – os olhos ardem-me como nunca.

Neste momento sinto como se o meu coração, tivesse sido arrancado de mim a sangue frio. E são lágrimas de sangue que derramo neste momento. Por mim, por ti, por nós.

- Rodrigo, posso pedir-te apenas uma coisa? Depois estarás livre de partir e jamais voltar, se essa for a tua vontade. – Seco as lágrimas com uma mão.

Neste momento não importa a maquilhagem arruínada, ou a aparência doentia.

- Faz amor comigo. Eu sei que podes achar estranho ou até mesmo ridiculo. Mas és tu que me vais abandonar. Sou eu que vou ficar à deriva. Deixa-me apenas recordar cada toque, cada carícia, cada olhar, cada gemido. Deixa-me apenas recordar-te como meu.

Não dizes nada.

Aproximas-te, tomas os meus lábios nos teus, como tantas outras vezes. Mas desta vez o sabor da despedida mistura-se ao nosso.

A tua lingua toca a minha, pede passagem. Cedo-ta, o sabor salgado invade as nossas bocas.

São as lágrimas que não consigo parar.

As tuas mãos perdem-se em mim. Tocas-me em toda a parte, e em parte nenhuma.

A tua boca percorre todos os cantos e recantos da minha pele. Numa tentativa de me memorizar os traços, as imperfeições. A textura.

A tua mão está sobre os meus seios. Desce-a mais amor. Preciso do teu toque dentro de mim.

E tu lês no meu olhar, o que a boca não pronunciou.

Tocas o mais profundo de mim.

Deixas-me à beira de um abismo alucinante. Mas não me deixas cair.

Penetras-me o corpo, a alma e o coração. Com gentileza.

E choro mais uma vez. Porque é a última vez que farei amor contigo.

Os movimentos de vai e vem, tornam-se mais rápidos, profundos.

Ambos buscamos o prazer máximo. E em poucos minutos alcançamos um orgasmo, como nunca tivemos nenhum.

Deixas-te cair sobre mim.

Toco-te a face.

Beijas-me os lábios. Levantas-te.

Vestes a roupa que ficou perdida pelo quarto.

Sais sem dizer adeus.

E eu fico.

E choro até adormecer.

Choro pelo amor despedaçado na minha alma.

Choro por nós.

Fim.

Ella Raven,

24/08/2009

2 Comentários:

Blogger M.G. disse...

que triste, apaixonante, que antítese de sentimentos...

31 de Agosto de 2009 01:06  
Blogger Maria Guerra disse...

Ai este texto está muito bom.
Tu não podias ter acabado com tudo, não pode lol
Façam lá as pazes que assim não dá!

5 de Setembro de 2009 22:25  

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