Primeira Vez
Sinto os teus olhos cravados em mim, humedeço os lábios com a ponta da língua.
Nervosa. É assim que me sinto sempre que estou na tua presença.
- Estou bem? – Pergunto.
O vestido preto é comprido o suficiente para arrastar pelo solo. É simples, mas arrojado, digo-o pela abertura que vai desde a metade da minha coxa até à sua base. O seu topo abraça-me o pescoço e faz um decote em ‘’V’’.
- Estás – Respondes-me frio.
- Vamos? – Perguntas-me enquanto me ofereces o braço que devo enlaçar. Faço-o.
- Sim.
Entramos na Igreja.
Caminho ao teu lado até ao altar, afinal seremos os padrinhos de casamento dos nossos melhores amigos.
A cerimónia decorre demasiado lentamente.
Está calor, sinto as minhas mãos suarem e uma pequena náusea percorrer-me, acompanhada de uma ligeira tontura.
Apoio-me ligeiramente no teu braço.
Olhas-me com o cenho franzido, mas quase imediatamente após uma breve troca de olhares, sinto-te a colocares um braço na minha cintura.
- Sentes-te bem? Estás pálida... – Sussurras-me com o olhar preocupado.
- Não foi nada Rodrigo, foi só um mau estar ligeiro, já passa.
- Aguentas até ao fim? Se calhar era melhor ires apanhar um pouco de ar, está abafado aqui dentro.
- Sou a madrinha Rodrigo, não é suposto abandonar a cerimónia a meio...
- Tu é que sabes. – A frieza voltou para substituir a preocupação na tua voz.
Após a Igreja, seguiu-se as fotografias.
Estou no copo de água, sentada num canto de uma mesa perdida no meio de uma multidão.
Sim, seria de esperar que estivesse na mesa dos noivos uma vez que sou a madrinha. Mas apenas fugi durante uns minutos.
Levanto-me para ir retocar a maquilhagem e oiço alguém chamar-me. É o Tiago, o noivo.
- Aqui está a nossa madrinha favorita. Estás bem? Ainda não comeste nada de especial.
- Estou óptima, é só uma indisposição de nada. – Respondo
- Ainda bem, porque tens que dançar com o Rodrigo, os padrinhos têm de dançar, não é querida? – Ele pergunta à Sofia.
- Claro.
- Mas... – Eu tento dizer que não posso, mas sou interrompida pela tua mão, que agarra a minha enquanto me pergunta:
- Danças comigo? Por Favor? – E percebo pelo teu tom de voz que, para ti, esta é apenas mais uma obrigação dos padrinhos. Por isso deixo-me levar para a pista de dança.
A música que toca no momento é suave.
Colocas a tua mão na minha cintura e puxas-me ligeiramente para ti, enquanto eu coloco uma das minhas mãos no teu antebraço.
E assim embalas-me na dança.
Estar tão próxima de ti não acalma os meus nervos, pelo contrário alerta-os.
A tensão entre nós é palpável.
A música termina, e logo segue-se uma ainda mais lenta.
Os teus dedos correm pelas minhas costas, e aproximas-me mais de ti.
Os teus lábios ficam ligeiramente acima da minha orelha.
Um arrepio percorre-me a espinha, quando a tua respiração bate no meu rosto.
Solto um suspiro baixo, e quase poderia jurar que te senti sorrir.
Sem me aperceber coloco ambos os meus braços ao redor do teu pescoço, e colo-me mais a ti.
Penso que sussuraste algo que, não consegui entender.
Afastas ligeiramente os nossos corpos, de forma a que conseguires olhar-me directamente nos olhos.
Aproximo o meu rosto do teu.
A minha respiração ficou mais pesada, rápida, ofegante.
E no exacto momento em que a minha boca estava a milímetros da tua, oiço a voz da Sofia.
- Querida, podes chegar aqui? – Diz-me.
- Sim, estou a ir – Peço-te desculpa com o olhar e vou ter com ela.
Por fim a festa termina.
Procuro por ti.
Encontro-te.
Encaminhas-me em silêncio para o carro.
E neste preciso momento, estou sentada no banco do teu carro, a caminho da minha casa, ou melhor da nossa casa. Uma vez, que a vou dividir contigo temporáriamente.
- Sentes-te melhor? Não comeste nada de especial durante todo o dia. – E sei que estás apenas a quebrar o silêncio constrangedor que se instalou desde que entramos no carro.
- Sim, estou melhor, obrigado.
E o silêncio instala-se uma vez mais.
Chegamos a casa. Abro a porta, entro enquanto me descalço.
E por um momento penso ter voltado a sentir os teus olhos cravados em mim. E aquela mesma tensão que senti quando estava nos teus braços embalados numa dança, paira no ar.
Giro o corpo para te dizer que me vou deitar, e quase choco contigo.
Estás demasiado perto.
Sinto a minha respiração falhar.
- Não tens noção do que fazes comigo pois não Isa? – Sussurras enquanto te aproximas ainda mais de mim.
Os corpos colados.
A tua mão na base da minha coluna.
E quando entreabo os meus lábios para questionar o que queres dizer, tu tomas as palavras da minha boca.
A tua língua procura a minha, e ambas dançam, uma dança sensual e primitiva.
E tu roubas-me o ar.
- Rodrigo?! – Quero questionar o que estás a fazer, mas apenas o teu nome abandona a minha boca.
- Tu não sabes que a cada passo que dás, os meus olham focam o balanço da tua cintura. Não sabes que, a cada suspiro, cada respiração os meus olhos descem e fixam o movimento do teu peito. Não sabes que, cada palavra que dizes tem a minha atenção presa nos teus lábios. Não sabes o quanto te quero.
- Quero beijar-te, tocar-te. Quero fazer amor contigo Isa. – E com estas palavras ditas ao meu ouvido, sinto o meu peito arfar de sensações.
E eu beijo-te. Os teus lábios arrebatam os meus com desejo.
Pegas-me ao colo, como se nós fôssemos os noivos.
Sinto as minhas costas de encontro à cama enquanto me libertas do vestido.
As tuas mãos percorrem o meu corpo.
Desvendas todos os meus segredos.
E devagar como se tivesses todo o tempo do mundo, entras em mim.
E eu apenas consigo abraçar a tua cintura com as minhas pernas.
O ritmo de vai e vem é suave, ao mesmo tempo em que, é quente, selvagem, alucinante.
E como um só, chegamos ao ápice.
Deito-me sobre o teu peito, e oiço o teu coração bater descontroladamente. Oiço-o acalmar-se com o tempo.
Sinto-me sonolenta.
- Rodrigo?! – Chamo-te suavemente
- Hum... – Respondes-me de olhos fechados, um sorriso torto brinca nos teus lábios.
- Foi a minha primeira vez – Comento envergonhada.
- Eu sei, dorme Isa.
- Rodrigo?! – Volto a chamar-te.
- Sim amor?
- Acho que me estou a apaixonar por ti... – Comento enquanto fecho os olhos.
E por momentos, quando estou quase a adormecer nos teus braços. Poderia jurar que te ouvi dizer:
- Eu sinto o mesmo Isa...eu sinto o mesmo.


1 Comentários:
ohh gostei deste post também
esta citação está espectacular:
«- Tu não sabes que a cada passo que dás, os meus olham focam o balanço da tua cintura. Não sabes que, a cada suspiro, cada respiração os meus olhos descem e fixam o movimento do teu peito. Não sabes que, cada palavra que dizes tem a minha atenção presa nos teus lábios. Não sabes o quanto te quero.»
cumprimentos M.G.
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